ONU MEIO AMBIENTE, SUSTENTABILIDADE E GERENCIAMENTO DE PROJETOS
“Quando a última árvore for derrubada, quando o último rio for envenenado, quando o último peixe for pescado, só então daremos conta de que dinheiro não se come”. Provérbio Indígena
A ONU Meio Ambiente é a principal voz global em temas ambientais. Ela promove liderança e encoraja parcerias para cuidar do meio ambiente, informando e capacitando nações e pessoas a melhorarem a sua qualidade de vida sem comprometer a das futuras gerações. A ONU Meio Ambiente listou as principais ameaças ambientais que precisarão ser enfrentadas este ano de 2018. Entre elas, estão os danos provocados nos recifes de corais, a poluição por plástico dos mares e oceanos, meio ambiente e migração, cidades e mudanças climáticas, extinção de espécies animais, entre outras.

Com base na Assembleia Ambiental da ONU do ano passado, um grande foco será dado este ano no sentido de combater a poluição por plástico eliminando as sacolas descartáveis, banindo as micropartículas de plásticos nos cosméticos e promovendo o uso de alternativas sustentáveis. Outro importante tema de 2018 será como as cidades do mundo podem atuar na redução da emissão de gases do efeito estufa e desenvolver formas inovadoras de se adaptar às mudanças climáticas. Momentos importantes nessa frente será a Conferência de Cidades Resilientes que ocorre em abril em Bonn, na Alemanha, e a Cúpula de Ação Global para o Clima, que será realizada em setembro em São Francisco, nos Estados Unidos.
https://nacoesunidas.org/onu-meio-ambiente-lista-seis-questoes-ambientais-para-ficar-de-olho-em-2018
O PLANEJAMENTO DAS QUESTÕES AMBIENTAIS NO BRASIL 2018
“O custo do cuidado é sempre menor que o custo do reparo”. Marina Silva
O Brasil tem condições de reduzir até 48% das emissões até 2050, de acordo com ONU Meio Ambiente e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), em Brasília. O dado é do estudo “Trajetórias de mitigação e instrumentos de políticas públicas para o alcance das metas brasileiras no Acordo de Paris”, uma das publicações lançada pela ONU Meio Ambiente e o Ministério da Ciência e Tecnologia. Nesse contexto, o Brasil desenvolve uma série de ações a nível nacional, entre elas o projeto “Opções de Mitigação de Emissões de Gases de Efeito Estufa em Setores-Chave do Brasil”, que analisou de que forma os principais setores nacionais como indústria, energia, transportes, domicílio, serviços, agricultura, florestas, gestão de resíduos, entre outros, podem ser peças fundamentais para o alcance das metas do Acordo de Paris no Brasil.
O projeto traz subsídios para apoiar o governo no desenvolvimento de uma estratégia de implementação da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), no âmbito do Acordo de Paris, e apontam o papel que cada setor econômico pode desempenhar para garantir o cumprimento das metas de emissões até 2030. A análise mostra que serão necessários investimentos anuais de R$2,2 bilhões a R$15,4 bilhões para mitigar as emissões nacionais e que, assim, seria possível reduzir quase 50% das emissões até 2050.
https://nacoesunidas.org/brasil-tem-condicoes-de-reduzir-ate-48-das-emissoes-ate-2050-de-acordo-com-onu-meio-ambiente-e-governo/
ORÇAMENTO PARA O MEIO AMBIENTE NO BRASIL EM 2018
O orçamento aprovado para o Ministério do Meio
Ambiente (MMA) e seus órgãos vinculados – IBAMA, SFB, ICMBio, ANA, FNMA, JBRJ,
FNMC - sofreu
uma redução de R$ 480,5 milhões (12%) este ano de 2018. Em termos globais, os
recursos destinados à pasta passaram de R$ 3,97 bilhões em 2017 para R$ 3,49
bilhões em 2018. Corte orçamentário em um órgão com enormes desafios,
fragilidades e pressões políticas. Quando analisamos a proposta orçamentária
para o órgão MMA em detalhes, vemos a situação:
As “Reservas de Contingência” embutidas nos
orçamentos do MMA e seus órgãos vinculados representam uma perda importante de
recursos, para além do corte orçamentário global. Na proposta orçamentária para
o MMA e seus órgãos em 2018, está incluído o valor de R$ 422,5 milhões como
“Reserva de Contingência”. Este valor é oriundo de receitas próprias ou
vinculadas, quer dizer, são receitas que pertencem ao órgão e, quando alocado
na forma de Reserva de Contingência, não têm outro objetivo senão o de gerar
economias para manter a dívida pública sob controle. Em outras palavras,
trata-se de um recurso que não será gasto com políticas públicas para o Meio
Ambiente.
A decisão política de alocar crescentes receitas
próprias ou vinculadas na forma de Reserva de Contingência evidencia uma
intenção clara e subliminar do governo, de esterilizar recursos que deveriam
ser gastos com meio ambiente e esvaziar a capacidade orçamentária dos órgãos. Esta
“Reserva de Contingência”, uma espécie de “fake orçamento”, cresceu quase cinco
vezes em três anos. Os números alocados falam por si. Foram R$ 88,2 milhões em
2016; R$ 337,5 milhões em 2017 e R$ 422,5 milhões em 2018.
http://www.inesc.org.br/noticias/noticias-do-inesc/2018/janeiro/orcamento-para-o-meio-ambiente-em-2018-pior-do-que-parece
A SUSTENTABILIDADE E O GERECIAMENTO DE PROJETOS EM 2018
"Se você quer saber como foi seu
passado, olhe para quem você é hoje. Se quer saber como vai ser seu futuro,
olhe para o que está fazendo hoje". Provérbio
Oriental
Sustentabilidade é a um princípio segundo o
qual o uso dos recursos naturais para a satisfação de necessidades presentes
não pode comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras a longo
prazo.
Ciclo de Vida do Projeto é o conjunto
de fases do projeto que correspondem ao ciclo
de vida do projeto. As fases do projeto são as divisões feitas visando
um melhor controle gerencial e adequação aos processos da organização. Cada fase do
projeto contém várias entregas a serem feitas e seus marcos correspondentes.
Uma entrega é um produto tangível e verificável. Marcos são os momentos
mais importantes do projeto; quando se conclui ou inicia as fases ou entregas
principais. Na conclusão de uma fase, deve-se revisar se as entregas feitas
atendem aos requisitos desejados, decidindo pela continuação ou não do projeto
e corrigindo os erros detectados. Nessa fase, o Gerente de Projetos (GP) pode
orientar mudanças pensando nos requisitos aprovados para sustentabilidade do
projeto.
A SUSTENTABILIDADE E O GERENCIAMENTO DE PROJETOS
Começamos
afirmando que a ideia é a raiz da realidade e a sustentabilidade é uma ideia
cujo tempo é tornar-se real. Então, o que faz uma ideia se tornar uma
realidade?
A
resposta é um projeto. Os projetos são onde a ideia atende a realidade.
Se os projetos
tornam as ideias reais, os Gerentes de Projetos (GP) são os agentes de mudança
que tornam as ideias realidade. A sustentabilidade é uma mudança que necessita
alguém especializado para implementá-la, um GP. Afinal, se algo não mudasse,
então por que precisaríamos de um projeto?
GP TORNANDO-SE LÍDER DE SUSTENTABILIDADE
Tradicionalmente,
o GP vê o término de seu envolvimento com o projeto quando concluído e entregue
para operações em andamento. Afirmamos que os GPs devem evoluir para se
envolver no processo de tomada de decisão (acrescentando sua contribuição aos
aspectos de sustentabilidade do projeto) e devem estar envolvidos com a certeza
de que o resultado final do projeto ou a sustentabilidade do fim da vida deste,
foi considerada. Quem pode então ajudar a implantar a sustentabilidade no
projeto? Nossa resposta: o gerente de projetos, atuando em seu papel natural de
agente de mudança.
Se o projeto for uma ponte, uma vez
que a ponte esteja completa, o projeto não termina. A questão que deve ser
feita é "o que faremos com a ponte, uma vez que o projeto esteja concluído?"
Não estamos dizendo que a ponte deve ser gerenciada pelo projeto nos próximos
100 anos, mas que seu resultado final deve ser considerado no planejamento para
o projeto. Vamos supor que esta é uma ponte muito longa, o GP deveria
considerar a superfície de pavimentação da ponte? Talvez uma superfície um
pouco mais cara, produza uma eficiência de combustível muito maior. Em
operação, este será um benefício realizado pelos clientes (motoristas) e
resultará em baixas emissões de carbono pelos veículos que atravessam a ponte. O
GP deve considerar nos objetivos do projeto não apenas as medidas de eficiência
dos projetos tradicionais ao tomar essa decisão. O pensamento do ciclo de vida
do projeto deve ser considerado além dos limites tradicionais das entregas,
pensando nos requisitos de sustentabilidade a longo prazo.
A ponte pode ser projetada, fabricada
e instalada com a maior qualidade, mas o impacto na sustentabilidade durante a
concepção, fabricação, montagem, operação e até mesmo no final de vida útil foram
pensados? O impacto real da sustentabilidade é o uso do produto; produz alto consumo
de energia? poluição do ar e da água? outros impactos? Todos os impactos foram
considerados durante a fase de projeto (e pós-entrega)?
O outro motivo para que os Gerentes de
Projetos se tornem líderes de sustentabilidade são as conexões do Guia do
Conjunto de Conhecimento de Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK ® ) e a norma
ISO21500: 2012. Uma conexão particular com o Guia PMBOK ® está em 2.1.5, fatores
ambientais da empresa. Se o GP não tem conhecimento dos potenciais riscos
regulatórios ambientais para um projeto, o sucesso desse projeto poderia estar
em perigo. ISO21500: 2012 "fornece orientação para gerenciamento de
projetos e pode ser usado por qualquer tipo de organização, incluindo
organizações públicas, privadas ou comunitárias, e para qualquer tipo de
projeto, independentemente da complexidade, tamanho ou duração".
Concedido, ISO21500: 2012 é um padrão internacional, não um regulamento. Mas,
no passado, as organizações consideraram vantajoso aderir aos padrões ISO por
uma variedade de razões. Uma dessas razões é que os patrocinadores e as partes
interessadas estão cada vez mais conscientes dos padrões e esperam a
conformidade com essas normas, destacando a qualidade no gerenciamento de
projetos.
O QUE PODE O
GP FAZER PARA SE TORNAR UM LÍDER DE SUSTENTABILIDADE?
·
Aceita
a ideia de que é um agente de mudança. Às vezes não se vê no papel, em uma
organização, como um agente de mudança. Mas, como explicado anteriormente, os
gerentes de projeto, por natureza, são agentes de mudança.
·
Familiariza-se
com a missão e visão de sustentabilidade de sua organização e assegura que seus
projetos estejam alinhados. Uma das melhores maneiras de fazer isso é conectar
o Plano de Gerenciamento Ambiental da organização com os objetivos do seu
projeto. Sua organização não tem um plano ambiental? Conduza o esforço para
desenvolver um plano. Você é o agente de mudança!
·
Orienta
no processo da tomada de decisão, a necessidade de considerar o projeto além
das entregas concluídas. Ajuda o patrocinador a entender os impactos criando
sustentabilidade ao projeto e deixando o bom legado para as gerações futuras...



